Arquivo da categoria: Atualidades

Deixa o verão pra mais tarde

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E nós, que moramos do lado de cá do oceano tivemos um inverno longuíssimo nessa temporada 2012/2013. Lembro que tivemos neve ainda em março, tempo frio até maio (!).

A onda era reclamar do frio… Brrr!

Então, que ele resolveu vir com tudo: O verão chegou! E agora? Gente, estamos todos cozinhando de tão quente! Tentamos sair com o baby, mas não aguentamos nem duas horas na feira medieval que visitamos em Anweiler am Triefels… O fim de semana aqui na Alemanha torrou muita gente 😛

Então me lembrei dessa música, que com certeza seria o hino de muita gente por aqui nesses períodos mais quentes do ano:

E você, qual clima prefere? Eu sou fã da primavera, dos dias azuis, das ruas coloridas, dos dias ensolarados mas fresquinhos.

Beijos e boa semana!

Marina.

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Esquentando os tamborins

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Ano que vem será celebrado o ano da Alemanha no Brasil. Na verdade a iniciativa é para os próximos dois anos e se estende a várias áreas. A proposta é de que os dois países estreitem seus laços e cooperem mais em diversos campos, como tecnologia, educação usw.

Claro que isso não poderia fugir do carnaval! E quem gosta de carnaval sabe que essa indústria trabalha durante todo o ano!

No ano de 2013 a escola de samba Unidos da Tijuca falará sobre a Alemanha com o enredo “Desceu num raio, é trovoada! O deus Thor pede passagem pra mostrar nessa viagem a Alemanha encantada”. Li que os patrocinadores alemães deram pra trás porque o tema inicial era Richard Wagner – eles ficaram com medo das conotações nazistas. Parece que mesmo após a mudança do enredo, está difícil tirar os escorpiões do bolso dos patrocinadores alemães… hehe

Mas, certamente será um belo carnaval com a criatividade do Paulo Barros.

Bom, genug für heute, deixo vocês com o samba que fala da “Alemanha Encantada”:


Alguém aí que goste de carnaval?

Glossar:
usw: etc

genug für heute: “chega” por hoje ou “basta” por hoje.

 

Links relacionados:

Letra do samba:

http://unidosdatijuca.com.br/2012/10/tijuca-ja-tem-samba-para-cantar-a-alemanha-na-sapucai/

Alemanha + Brasil:

http://www.alemanha-e-brasil.org/

Post mini-resumo

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Senhoras e senhores,

bem vindos ao post mini-resumo da semana:

– Sobrevivi à apresentação de dois seminários hoje, um, emendado no outro, um em alemão e o outro em inglês. Ufa, tô viva e me sentindo bem leve. Elogio faz bem 🙂 E a desenvoltura pra falar em público em alemão tá se desenvolvendo!

– Sophia nasceu! A filha da minha amiga Paty nasceu anteontem em terras suábias. Já vi a foto, ela é um docinho e espero conhecê-la ao vivo em breve. Parabéns pros papais Patrícia e Jörg e pra vovó Jandira que veio diretamente do Brasil pra dar aquela força pra eles 🙂

– Amanhã dou meu grito de liberdade! Último seminário do ano, depois do Wake up Kino que começa às 6 da matina 🙂 Cinema com café da manhã, achei uma proposta interessante. Ainda mais se tratando de Sherlock Holmes;

– Não tenho árvore de Natal ainda, porque com todo o estresse não rolou nenhuma preparação pro Natal aqui em casa. Amanhã eu vou tentar tirar o atraso;

– Vou dormir e me inspirar pro dia de amanha e em breve escrevo um post beeeem bacana, como vocês merecem.

Câmbio. Desligo.

Beijos

Marina.

Meu pé meu querido pé que me aguenta o dia inteiro – Kissing fish?

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Eu tenho a infelicidade de ter unhas MUITO encravadas. Herdei do meu pai e fato é que desde criança sofro na mão de pedicures e calistas. No Brasil, depois de muitas experiências ruins eu encontrei duas pessoas em que confiava bastante pra mexer nos meus pés sem arrancar o couro (risos), a Nelma e a Rose. Mas aí a pessoa muda de país e cai numa região onde a pedicure custa pelo menos 20 euros (sem pintar). E as duas eu não posso trazer pra cá 😛

Aqui eu também já fiz experiências bizarras. Já parei na mão de uma pedicure asiática, num salão que tinha um cheiro de oficina de pintura de carros, onde as mulheres saem com aquelas unhas giganteeeescas (!) com desenhos múltiplos. A mulher tinha unhas dignas de Zé do Caixão, só que pintadas (!) Mas quando eu vi isso já era tarde e ela já estava lá com o alicate mexendo nos meus pés. Eu fiquei quietinha com medo dela me machucar com aquele treco e paguei os vinte paus pela unha mais mal feita da minha vida. Felizmente eu agora arrumei uma calista decente que me alivia das dores nos pés uma vez por mês pelo menos. No meio tempo eu dou um jeito mesmo em casa, afinal mulher é mesmo multitasking, né?

Experiências à parte, outro dia estava fazendo o trajeto estacionamento – cinema pelas ruas de Frankenthal quando dei de cara com um pequeno Spa chamado Kissing fish. Já era tarde e ele estava fechado, mas as fotos na fachada não escondiam o porquê do nome: É mais um desses centros de Wellness que oferecem a tal de Fischpediküre.

Antes de passar em frente a esse Spa eu já tinha lido sobre o tal “procedimento”: A proposta é de que você entre, se achegue, se sente com os pés dentro de um aquário e deixe os peixinhos fazerem o serviço. Eles supostamente comerão o excesso de pele dos seus pés, que sairão do tal “procedimento” macios feito bumbum de bebê.

Parafraseando a Regina Duarte: Eu tenho medo.

E vocês, o que acham dessa nova moda? Alguém já se aventurou e deixou a natureza beijar seus pés? Às amigas do Brasil, já tem alguém fazendo essa loucura, digo, esse tratamento por aí?

Pra dar a deixa, uma lembrança de infância:

Puxando saco :)

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Porque o prof. Paulo Bezerra merece! Saudade de suas aulas de teoria da Literatura, das conversas com nós alunos (!) no pátio da UFF, da simplicidade e sabedoria do primeiro brasileiro a traduzir a obra de Dostoievski diretamente do russo para o português.  Obrigada!

O fracasso da integração

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Estava no meu cantinho no trabalho quando a Hotelfachfrau chega esbaforida (desconto, ela sempre está esbaforida, mas é gente boa) me contando que dois hóspedes teriam reclamado após algum mal entendido da parte deles que o recepcionista da noite anterior konnte kein richtiges Deutsch. O rapaz em questão é um peruano que, segundo a responsável pelo hotel, se expressa muito bem em alemão e que tem pouquíssimo sotaque (não, eu não o conheço).

Achei muito sensata a resposta que ela deu para os hóspedes: De que ele falava alemão muito bem sim, do contrário não teria sido contratado para a recepção, e que deveria-se esperar que um hotel fosse uma equipe multi-cultural, não só em relação aos hóspedes, mas também em relação à equipe. Ao me contar o caso, ela relatou que tem ouvido cada vez mais esta mesma reclamação de seus conterrâneos alemães. Ao ouvir a história, disse a ela que na minha ainda curta experiência aqui, a coisa realmente é assim. É engraçado, escutamos muito falarem sobre o amor que os franceses tem por sua língua, por exemplo. E de como se negam a falar inglês com turistas. No entanto o que os alemães fazem aqui não está assim tão longe desse patriotismo línguístico, digamos.

Quando se chega já falando alemão, as pessoas te elogiam. “Nossa, você se comunica tão bem, em tão pouco tempo”. Daí segue uma chuva de explicações, afinal não se aprende uma língua de um dia para o outro, aquilo já é resultado do seu esforço, não só antes no curso de alemão, quanto aqui, tentando se virar no dia-a-dia. Converse um pouco mais de tempo e cometa seu primeiro erro de declinação. Aí, queridos, o mundo cai e você passa a não falar alemão direito, pelo menos não direito o bastante para estes seres.

Até a parte de se integrar, de aprender sobre o novo país, de estar aberta (o) à nova cultura e estilo de vida, tudo bem. Concordo com tudo isso. O que acontece é que aqui, eles estão perdendo meio que o controle disso tudo. O número de Ausländer aumenta a cada dia, e cada vez mais se pensa em como fazer essas pessoas se integrarem na sociedade alemã. E daí, que por mais que existam cursos de integração e afins, isso é muito difícil de controlar, principalmente tentar integrar aqueles que vem de uma cultura muito diferente, como por exemplo os turcos que são de religião islâmica. Daí, que viver na Alemanha acaba sendo ver véus ou burcas com uma certa frequência, ver mulheres que tem uma vida social limitada devido aos costumes da família, ver meninas que não podem fazer educação física ou participar de excursões na escola por conta de religião. Acaba também sendo ver muitos alemães reclamando disso tudo, alguns de um modo até muito agressivo. E muitos só reclamando e não fazendo nada.

O problema é que reclamar sendo alemão tem uma carga histórica pesada. Se um alemão reclama de estrangeiros, logo será taxado de racista ou nazista. Então, mesmo o governo passou um tempo meio que ignorando a situação, digo, não se manifestando tanto a respeito, julgando tudo como resolvido e bem sucedido, por medo desse fardo histórico nazista (minha leitura). Por muito tempo, a Alemanha foi o país do Multikulti, da diversidade. Até que em 2010, o então membro do Banco Central Alemão e político do SPD, Thilo Sarrazin, escreve o livro “Deutschland schafft sich ab” e fala de maneira polêmica sobre imigração e tudo aquilo que muitos gostariam de abordar e não tinham coragem. No fim do mesmo ano, a Bundeskanzlerin Angela Merkel declara “ Multikulti ist gescheitert” ao falar sobre as novas políticas de integração, e o ministro das relações exteriores, Westerwelle, a contradiz dizendo que “Multikulti ist Deutschlands Realität”.

Tão confuso quanto o assunto é nas altas cúpulas, é também entre a população. A mesma pessoa que defendeu seu funcionário dos turistas mal-humorados, por exemplo, acredita que os alemães colocam todos os estrangeiros no mesmo barco porque o país está saturado dos maus imigrantes, que só querem os benefícios do estado de bem-estar social. Recebem os auxílios-desemprego, aluguel e tudo mais, tudo para o migrante é muito fácil.

E olha, por mais que eu saiba que eles existem, sei também que existem muitos alemães não muito diferentes. Apesar de não precisar deste benefícios, sei de outros procedimentos extremamente burocráticos e o quanto requerer o que quer que seja na Alemanha não é tão fácil assim. Também sei que é muito desagradável ser igualada (o) a estes tipos sendo alguém que se esforça para fazer a diferença na sociedade que a (o) recebe. O problema é que isso tudo é como uma bola de neve. Uma situação leva a outra e uma reforça a outra. Os estrangeiros que tentam se integrar tem tanta razão quanto os alemães que levantam de maneira sensata a problemática da imigração (quase) descontrolada. Perde-se a origem.

Por não ter o argumento milagroso, não discuti mais com ela sobre o assunto. Seria quase que querer descobrir se Tostines vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais.

Pelo menos agora tenho mais vontade de aprender a respeito.

Uma boa semana a todos!

Marina.

Wortschatz – Vocabulário

Hotelfachfrau – É a designação que se dá a quem faz o curso técnico de hotelaria, digamos. É como uma gerente do hotel. A diferença pro Brasil é que aqui normalmente a Hotelfachfrau faz recepção, café da manhã e fechamento de contas SOZINHA, não tem uma pessoa pra cada função.

konnte kein richtiges Deutsch – não sabia alemão direito.

Ausländer – Estrangeiro(s). Este ano o número de estrangeiros na Alemanha divulgado foi de mais 7 milhões, ou seja, 8,8% da população do país (Fonte: Jornal Die Welt)

Multikulti – Diversidade

SPD – Partido social democrata

Deutschland schafft sich ab” – Livro de Thilo Sarrazin sobre a integração de imigrantes na Alemanha. Em tradução livre, o título se chamaria “ A Alemanha está se destruindo”.

Bundeskanzlerin – Chanceler

Multikulti ist gescheitert” – A diversidade fracassou, frase da Chanceler Angela Merkel.

Multikulti ist Deutschlands Realität” – Diversidade é a realidade da Alemanha, frase do Ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle.