Arquivo da tag: Brasil

Esquentando os tamborins

Padrão

Ano que vem será celebrado o ano da Alemanha no Brasil. Na verdade a iniciativa é para os próximos dois anos e se estende a várias áreas. A proposta é de que os dois países estreitem seus laços e cooperem mais em diversos campos, como tecnologia, educação usw.

Claro que isso não poderia fugir do carnaval! E quem gosta de carnaval sabe que essa indústria trabalha durante todo o ano!

No ano de 2013 a escola de samba Unidos da Tijuca falará sobre a Alemanha com o enredo “Desceu num raio, é trovoada! O deus Thor pede passagem pra mostrar nessa viagem a Alemanha encantada”. Li que os patrocinadores alemães deram pra trás porque o tema inicial era Richard Wagner – eles ficaram com medo das conotações nazistas. Parece que mesmo após a mudança do enredo, está difícil tirar os escorpiões do bolso dos patrocinadores alemães… hehe

Mas, certamente será um belo carnaval com a criatividade do Paulo Barros.

Bom, genug für heute, deixo vocês com o samba que fala da “Alemanha Encantada”:


Alguém aí que goste de carnaval?

Glossar:
usw: etc

genug für heute: “chega” por hoje ou “basta” por hoje.

 

Links relacionados:

Letra do samba:

http://unidosdatijuca.com.br/2012/10/tijuca-ja-tem-samba-para-cantar-a-alemanha-na-sapucai/

Alemanha + Brasil:

http://www.alemanha-e-brasil.org/

Anúncios

Aquilo que eu compartilho sem ler, o coração não sente

Padrão

“Odeio política!” “Política não é coisa de gente de bem!” “De novo esse papo de política?” “Política e religião não se discutem.”

Pois essas frases, que tanto escutei de muita gente no Brasil, parecem ter perdido efeito. Só que, após um domingo de eleição e em semana de julgamento de “mensalão”, a conclusão que posso tirar aponta que, de maneira geral, essa “conscientização” repentina não é produto de um maior interesse político dos brasileiros, fruto de maior leitura ou mesmo resultado do amadurecimento da população. Me parece muito mais um fenômeno resultante da inclusão digital e de um maior acesso a uma enorme gama de conteúdos. E só.

Nessa semana, os murais das redes sociais espelham mensagens de toda sorte: Uma classe média de esquerda engajada e indignada com a eterna escolha da classe baixa pelos líderes assistencialistas de direita, direitistas defendendo a condenação dos “petralhas”, esquerdistas remando contra a maré da mídia “golpista”de grande alcance e tentando evidenciar a falta de provas do julgamento, juiz do STF sendo eleito herói nacional por estar fazendo nada mais que seu trabalho (e digamos, de maneira não tão transparente assim). Algumas postagens ponderadas e bem articuladas, outras apedrejando sem dó nem piedade o pobre diabo que vende seu voto pro Dudu por um puxadinho no Favela Bairro. Cobertura em tempo real, por pelo menos tantos críticos especializados quanto aqueles que assistem à Copa do Mundo a cada quatro anos.

“Hoje em dia, todos tem acesso à informação” – o argumento é multi uso, seja para reclamar do voto mal dado, para protestar contra a mulher que quer para si as decisões sobre seus direitos reprodutivos, para repudiar a adolescente que engravidou, entre tantas outras situações plenamente evitáveis – presumimos.

“Temos que nos manifestar” ; “Compartilhe o link contra o PL n° tal, o senador fulano está anulando uma outra Lei n° tal”; “Vote contra”; “Vote a favor”.

Mas me pergunto: Temos mesmo TODOS acesso a tantas informações? E QUEM tem acesso a elas, como as filtra? E a minha conclusão até então é de que as respostas são não e não, e que quem tem mais acesso às informações é, muitas vezes, aquele que compartilha sem ler. Quer fazer bonito no perfil e não pesquisa se aquelas acusações são verdade, repetindo as opiniões alheias.“Aquilo que eu compartilho sem ler, o coração não sente.” Acusa sem provas e elege vilões e heróis que nem sempre condizem com a realidade. Acham que só suas opiniões valem, que o resto é o resto, que pobre vendedor de voto tem que morrer, que mulher estuprada é a vadia da história, que o mendigo da esquina do centro da cidade é vagabundo e que o país seria perfeito se todos fossem inteligentes como eles. E o governo, a culpa é sempre dele. As estruturas de governo são sumariamente ignoradas. Esquecem o papel do Legislativo, a culpa é mesmo toda da presidente, do prefeito. Esquecem também que os governos são eleitos pela maioria. Perdeu, play.

Boa parte desta parcela “bem informada” da população parece viver em uma bolha, uma realidade paralela, sem nem mesmo perceber. E o problema é que, meus caros, ativismo e participação política não devem ser simplistas assim. Quantidade de informação não equivale à qualidade da mesma. Acusar sem embasamento é tão anti-democrático quanto nem mesmo julgar. E é no mínimo ingênuo achar que vai mudar o país sentado em uma cadeira de frente para uma tela ecoando discursos sem embasamento, cujos sentidos se perdem no caminho. Tenhamos cuidado, porque peixe morre pela boca.

Universidade na Alemanha

Padrão

Queridas e queridos,

como prometi no último post, vou falar hoje um pouco do estudo em uma Uni alemã. De cara vou dizendo que não sei se as minhas experiẽncias se estendem a todas as Unis daqui. Vou falar um pouco de como funciona o meu curso na Uni Heidelberg.

Pois é que eu cheguei aqui com meu diploma da UFF na mão, achando que não seria tão difícil. Ledo engano… Bem, a situação de reconhecimento de diplomas estrangeiros aqui na Alemanha é complicada, principalmente para quem estudou algo que não é regulamentado, como é o meu caso, germanista que sou.

Bem, antes de chegar, mandei minha candidatura pra Uni Mannheim, para um mestrado em Alemão como língua estrangeira (DaF). E sabe o que aconteceu? Os correios sentaram em cima da minha carta e ela chegou um dia depois da data limite. Não, aqui não tem jeitinho, e eles me devolveram a papelada toda por correio, já no meu endereço alemão. Decepção.

Então um tempo depois de pensar e ver que com bacharelado em alemão aqui a minha vida seria difícil, decidi me candidatar para o Lehramt, a formação de professores, em inglês. Só que, pára tudo: Os professores aqui tem que estudar DUAS matérias na Uni. As combinações são relativamente livres, mas não tem como fugir. Bem, me candidatei pro inglês no Sommersemester, fiz a prova de inglês que eles exigiam pra todos os candidatos (TOEFL e Cambridge não eram aceitos) e bem, consegui minha vaga 🙂 No segundo semestre fui aceita para Ciências Políticas como minha segunda matéria.

O esquema aqui é bem diferente do que temos no Brasil, pelo menos do que tive na UFF:

* A flexibilidade do currículo é enorme! Obviamente você tem matérias obrigatórias, mas as optativas são realmente optativas, ou seja, vc escolhe praticamente o que quiser fazer. Você pode fazer muitos créditos a mais do que o previsto se tiver disposição e vontade;

* O sistema de Vorlesung (lectures): Você entra num auditório com duzentas cabeças (minha turma de economia tem uns 500 alunos) e o professor geralmente LÊ a aula. Dependendo do professor, eu reconheço, é sacal. Mas normalmente nessas aulas você não tem que marcar presença; Via de regra existe então um Tutorium (que é como se fosse a monitoria) que você é obrigado (aí sim, com direito a só duas faltas por semestre) a visitar para tirar dúvidas, fazer exercícios etc etc;

* O pouco contato com os Dozenten: Aqui os professores te dão no começo um programa do semestre inteiro, uma lista de bibliografia recomendada, alguns dão umas perguntas para pontos-chave de alguns temas. O estudo depende muito mais do aluno, que tem que pesquisar ele mesmo as coisas. Ninguém vai te dizer quais páginas do livro você deve ler…

* A competição dos alunos em ser “o melhor”. Muita gente que fica tentando falar difícil, escrever duzentas mil referências e notas, enfim, mostrar que é bem informado e que lê muito. Não espere apresentar um seminário e ficar sem uma pergunta da turma. Isso raramente acontece, pela minha experiência até agora.

* Os alunos entra(vam) de maneira geral um pouco mais tarde na faculdade. A maior parte dos calouros tem entre 19 e 21 anos. A escola dura um pouco mais aqui (o Gymnasium, digo) e os meninos iam para o exército ou para algum trabalho social por um ano depois da escola. Mas agora tiraram um ano da escola e a obrigatoriedade do serviço militar. Ou seja, o semestre de verão já teve MUITO mais gente do que o normal até então.

* A admissão se dá pela nota do Abitur, que é um exame que é prestado no fim da escola. Ele não é um concurso como o vestibular, e sim um exame de conclusão do ensino médio. Com as suas notas você pode se candidatar a qualquer universidade do país e torcer para ser aceito. Para algumas matérias existem NCs, as Numerus Clausus, ou seja, existe uma certa nota mínima para entrar. Na minha matéria o NC era de 1,7 (equivalente, digamos a um 9,4 no Brasil?). Mas isso depende de Uni pra Uni. A Universidade de Heidelberg é considerada Universidade de Elite, por isso, aqui as notas são mais altas.

* Quem não tem Abitur, como a gente, tem duas possibilidades. Faz dois anos de Studienkolleg, que é uma complementação do ensino médio visando o ingresso em universidades alemãs; Quem já estudou no ensino superior brasileiro é analisado pelas notas escolares e fica livre destes dois anos por já ter “experiência” no ensino superior. É então, avaliado como os alunos alemães.

Ufa! É tanta coisa e não é tudo! Mas acho que já dá pra ter uma idéia de como funciona 🙂 Falo mais em outro post 🙂

Agora: Gente doidinha tem em todo lugar. Estudei ontem até as duas da manhã para uma reunião de organização de um seminário a apresentar. Quando acabei de ler, peguei meu telefone e vi a mensagem da colega, dizendo que não poderia mais ir à reunião. Posso falar que fiquei p@#$ da vida? Em compensação, hoje acordei às nove e estou aqui escrevendo pra vocês 😛

Coisas da vida. Boa semana, everybody!

Tá na hora, tá na hora…

Padrão

Pois é, gente, o momento tão esperado chegou. Eu quis muito escrever antes um outro post sobre as despedidas, os reencontros, eu não mandei fotos e certamente muitos até me matariam por isso caso eu continuasse no Rio. (risos) Mas chegou a hora.

E como cantava a sábia Xuxa quando estávamos na mais tenra infância: Tá na hora, tá na hora…

Já surtei, chorei, pensei, fiquei gripada, melhorei, fiquei gripada uma vez mais, o dia clareou e escureceu e clareou e escureceu… e eu não vi todos aqueles que queria encontrar, nem consigo colocar em 64Kg tudo o que gostaria de levar. O bom dessa história é que isso me fará sempre retornar, mesmo que por pouco tempo, mas sempre será esperado, o tal retorno.

Fica a saudade e a esperança de que a nova vida seja tão boa quanto a velha.

Pra mim, hoje é quase um ano novo.

Casamento Brasil x Alemanha

Padrão

Hallo!!!

Depois de escutar meus amigos aqui tecendo comentários sobre um site de casamento que conta a piegas longa trajetória de um casal apaixonado em uma espécie de blog, resolvi cumprir com minha promessa de falar das diferenças entre Brasil e Alemanha. E o tema não poderia ser outro senão casamento.

Quem leu os meus poucos posts percebe de cara que estou dooooida por conta do meu casamento que vai acontecer em Julho. Pois é.

Agora, convenhamos, se noivas que estão por aqui e vão se casar fazendo o circo, a velha conhecida festa à brasileira, com todos seus badulaques e formalidades e todo s os convidados de pinguim de geladeira com reboco na cara, imaginem queridos, como moi me sinto aqui nesse mundinho de casamento germânico. Medo!

Por outro lado, estou beeeem feliz porque acho que a forma de casar da terra do chucrute realmente combina mais comigo: Menos pompa e mais festa. Literalmente, mais festa.

São pelo menos três festas:

Junggesellinnenabschied: Nossa famosa despedida de solteiro, que no Brasil normalmente é só dos homens (morram de inveja, meninas), também é das mulheres… e é no estilo perdição em Las Vegas sem Las Vegas, a menos que vc tenha muitos euros pra bancar a viagem, óbvio!

Polterabend: Uma noite antes do casamento (intervalo não recomendado pelos experts de plantão, visto que no outro dia você estará morto(a)) todos se reúnem em um local alugado ou no quintal da casa da noiva, geralmente. os convidados levam porcelana em todos os formatos e tamanhos IMPOSSÍVEIS (vale até se desfazer das porcelanas velhas, resto de obras etc etc) e quebra. Os noivos tem que limpar tudinho juntos. Dizem trazer sorte e união (pudera!) pro casal. A parte boa é que é uma festa super informal que não precisa de um convite em papel e que todo mundo chega numa boa, come um churrasco, bebe umas cervejas daquelas pequenas de 500ml/copo e tá tudo bem.

Hochzeit: O casamento propriamente dito. Dia de se vestir de noiva pra quem quer, o casamento oficial é para poucos, só para a família e amigos mais próximos, nada de chamar uma cabeçada substancial. Quem é de igreja casa na igreja, quem não é, tem o Standesamt aí pra resolver, como no meu caso 😛

Bom, estas são minhas impressões pelo que a família do Chris me conta, e pelo o que tenho lido. Parece beeeeeeeeem divertido, não? no próximo post Vou dar uma idéia de como são essas festas.

Küsse!

Glossário:

Standesamt: Cartório de registro civil

Küsse: Beijos