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Puxando saco :)

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Porque o prof. Paulo Bezerra merece! Saudade de suas aulas de teoria da Literatura, das conversas com nós alunos (!) no pátio da UFF, da simplicidade e sabedoria do primeiro brasileiro a traduzir a obra de Dostoievski diretamente do russo para o português.  Obrigada!

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Universidade na Alemanha

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Queridas e queridos,

como prometi no último post, vou falar hoje um pouco do estudo em uma Uni alemã. De cara vou dizendo que não sei se as minhas experiẽncias se estendem a todas as Unis daqui. Vou falar um pouco de como funciona o meu curso na Uni Heidelberg.

Pois é que eu cheguei aqui com meu diploma da UFF na mão, achando que não seria tão difícil. Ledo engano… Bem, a situação de reconhecimento de diplomas estrangeiros aqui na Alemanha é complicada, principalmente para quem estudou algo que não é regulamentado, como é o meu caso, germanista que sou.

Bem, antes de chegar, mandei minha candidatura pra Uni Mannheim, para um mestrado em Alemão como língua estrangeira (DaF). E sabe o que aconteceu? Os correios sentaram em cima da minha carta e ela chegou um dia depois da data limite. Não, aqui não tem jeitinho, e eles me devolveram a papelada toda por correio, já no meu endereço alemão. Decepção.

Então um tempo depois de pensar e ver que com bacharelado em alemão aqui a minha vida seria difícil, decidi me candidatar para o Lehramt, a formação de professores, em inglês. Só que, pára tudo: Os professores aqui tem que estudar DUAS matérias na Uni. As combinações são relativamente livres, mas não tem como fugir. Bem, me candidatei pro inglês no Sommersemester, fiz a prova de inglês que eles exigiam pra todos os candidatos (TOEFL e Cambridge não eram aceitos) e bem, consegui minha vaga 🙂 No segundo semestre fui aceita para Ciências Políticas como minha segunda matéria.

O esquema aqui é bem diferente do que temos no Brasil, pelo menos do que tive na UFF:

* A flexibilidade do currículo é enorme! Obviamente você tem matérias obrigatórias, mas as optativas são realmente optativas, ou seja, vc escolhe praticamente o que quiser fazer. Você pode fazer muitos créditos a mais do que o previsto se tiver disposição e vontade;

* O sistema de Vorlesung (lectures): Você entra num auditório com duzentas cabeças (minha turma de economia tem uns 500 alunos) e o professor geralmente LÊ a aula. Dependendo do professor, eu reconheço, é sacal. Mas normalmente nessas aulas você não tem que marcar presença; Via de regra existe então um Tutorium (que é como se fosse a monitoria) que você é obrigado (aí sim, com direito a só duas faltas por semestre) a visitar para tirar dúvidas, fazer exercícios etc etc;

* O pouco contato com os Dozenten: Aqui os professores te dão no começo um programa do semestre inteiro, uma lista de bibliografia recomendada, alguns dão umas perguntas para pontos-chave de alguns temas. O estudo depende muito mais do aluno, que tem que pesquisar ele mesmo as coisas. Ninguém vai te dizer quais páginas do livro você deve ler…

* A competição dos alunos em ser “o melhor”. Muita gente que fica tentando falar difícil, escrever duzentas mil referências e notas, enfim, mostrar que é bem informado e que lê muito. Não espere apresentar um seminário e ficar sem uma pergunta da turma. Isso raramente acontece, pela minha experiência até agora.

* Os alunos entra(vam) de maneira geral um pouco mais tarde na faculdade. A maior parte dos calouros tem entre 19 e 21 anos. A escola dura um pouco mais aqui (o Gymnasium, digo) e os meninos iam para o exército ou para algum trabalho social por um ano depois da escola. Mas agora tiraram um ano da escola e a obrigatoriedade do serviço militar. Ou seja, o semestre de verão já teve MUITO mais gente do que o normal até então.

* A admissão se dá pela nota do Abitur, que é um exame que é prestado no fim da escola. Ele não é um concurso como o vestibular, e sim um exame de conclusão do ensino médio. Com as suas notas você pode se candidatar a qualquer universidade do país e torcer para ser aceito. Para algumas matérias existem NCs, as Numerus Clausus, ou seja, existe uma certa nota mínima para entrar. Na minha matéria o NC era de 1,7 (equivalente, digamos a um 9,4 no Brasil?). Mas isso depende de Uni pra Uni. A Universidade de Heidelberg é considerada Universidade de Elite, por isso, aqui as notas são mais altas.

* Quem não tem Abitur, como a gente, tem duas possibilidades. Faz dois anos de Studienkolleg, que é uma complementação do ensino médio visando o ingresso em universidades alemãs; Quem já estudou no ensino superior brasileiro é analisado pelas notas escolares e fica livre destes dois anos por já ter “experiência” no ensino superior. É então, avaliado como os alunos alemães.

Ufa! É tanta coisa e não é tudo! Mas acho que já dá pra ter uma idéia de como funciona 🙂 Falo mais em outro post 🙂

Agora: Gente doidinha tem em todo lugar. Estudei ontem até as duas da manhã para uma reunião de organização de um seminário a apresentar. Quando acabei de ler, peguei meu telefone e vi a mensagem da colega, dizendo que não poderia mais ir à reunião. Posso falar que fiquei p@#$ da vida? Em compensação, hoje acordei às nove e estou aqui escrevendo pra vocês 😛

Coisas da vida. Boa semana, everybody!

Começo das despedidas

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E começaram as despedidas. Hoje foi minha primeira segunda-feira sem trabalho. Acho que é o único dia que fico sem trabalhar desde quando comecei, com 18 anos o.O Bem, isso já faz seis anos. É estranha essa sensação, de não ter muito o que fazer quando na verdade as coisas estão lá, te esperando.

Bem, é um grande passo para a humanidade, rs.

Uma foto da despedida do NEAMI:

Foi muito divertido, quase uma rave, fizemos três comemorações 😛 Agradeço a todos da equipe pelo tempo que passei aí na UFF, aprendi muito, e mesmo os momentos mais difíceis foram válidos. E agora, bola pra frente!

* Des’ree – You gotta be